sábado, 26 de setembro de 2009

A primeira... vez! Um pouco do que ou de quem sou...


Boaventura Souza Santos, em sua Crítica da Razão Indolente, diz que vivemos em um momento de transição paradigmática. Não temos mais um paradigma dominante em nossa sociedade... e estamos na emergência de um novo paradigma que venha nos determinar novos modelos. A sociedade e a cultura vivem esse intervalo... o vazio... o não-ser, o não-lugar antropológico de Marc Augé... Mas neste momento surge algo que pode anestesiar a dor e fazer transcender a imanência. Paul Tillich afirma categoricamente que "o amor é o infinito que penetra no homem finito"... atrevo-me a dizer mais... esse penetrar só se dá quando se é permitido, e se pode gozar a dor e a delícia de ser o que se é! Assim eu sou... e poetizo... a própria TRANSIÇÃO PARADIGMÁTICA:
Silêncio
Silencio
Assim me encontro atualmente…
Como a pós modernidade que ainda nem se afirmou como tal
Está em transição paradigmática
Sou eu um sujeito dela e nela me encontro perdido
Surpreendido
Falido?
Ressurgido?
Estranhamente silencioso e sem vontade de me expressar
O existencialismo toma minha existência e me faz ser um ser que não é
Não pertenço ao paradigma dominante…
[Creio que sou recessivo…]
Entretanto não me sinto parte do paradigma emergente…
Sou intervalar…
Um interregno de Mallarmé – não fui, não serei, não sei se sou
Enquanto isso, fico em silêncio
E grito!
Quero ter minha voz ouvida aonde quer que ela chegar
Reclamando meus direitos de vida
Clamando diante da morte
Só quero ser ouvida...
Mesmo que ninguém me entenda
E ainda assim me critiquem
Que seja uma crítica pura da razão!
Por que se não tiverem razão
E não forem puros em sua crítica
Não aceitarei ser silenciada!
A não ser que volte ao interregno
À transição paradigmática
Aguardando a hora de me manifestar comunisticamente
Brincar com as palavras gigologizando-as
E ver a hora de algo diferente acontecer
[Chover granizo, por exemplo!!! Posso ouvir agora as pedrinhas de gelo batendo nas telhas...
O estranhamento leva todo mundo à janela e traz uma baita reflexão sobre o incomum...]
Creio que nesse intervalo é só esse o meu desejo
Refletir
Silenciar
Silencio
Silêncio

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