sábado, 3 de outubro de 2009

POIEMA


Aprendi que Deus só fala em poesia…
Engraçado...
O que Ele faz é poesia!
As narrativas e discursos dos textos sagrados são poesia
Não me importa quais sejam – não falo de religiões, de como vemos Deus ou a partir de que texto tentamos decodificá-lo
Deus está muito além de mim,
do gênero literário,
da hermenêutica monoteísta dos lugares conhecidos e determinados por um nome
ou da animista de lugares que geografia humana alguma jamais percebeu
Ele conhece os povos fortes que não são contados!
A poética está em Deus...
A música diz que Ele estava namorando quando desenhou o ser amado... será?
Penso que estava completamente apaixonado e dizendo absurdos quando fez o homem!
Não tinha palavras para expressar tanta paixão e fez poesia...
Poiéma!
A obra específica, plena e perfeita
Poietés!
O plenamente ativo e sábio em sua obra de poiesar!
Se quiser entender-lhe esta paixão, preciso me tornar um com Ele
Poiesar também!
E visitar os que ninguém visita
Beijar os que ninguém beija
Consolar e conhecer os que não têm rosto... choro [ó]!
Sorrir com os que só choram com motivos pungentes
Apaixonar-me pela obra do poietés!
Vou em frente...
Dar um sentido à minha existência.
Tentarei escrever mais uma poesia.
Senão a minha vida não valeu de nada.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Quero ser gente!!


Eu não posso ser [eu!] sem que você seja comigo”. Este é o resumo sobre o relacionamento humano no pensamento do teólogo Karl Barth, em minha opinião. E se posso atribuir juízo de valor, um belíssimo resumo da vida e ministério de Jesus Cristo e da vida daquele que o segue verdadeiramente...
Só é possível tal abertura no momento em que a alteridade do “tu” reafirma a identidade do “eu”, relação imprescindível para que a vida possa ser vivida em plenitude e profundidade. Se eu cresço e me torno cada vez mais humano e imagem do Criador nessa relação, afastando-me do pecado e tendo paz com Deus conforme o apóstolo Paulo diz na epístola aos Romanos 5.1, preciso peremptoriamente ir contra Sartre e afirmar: o céu são os outros!
Em meio a meu pensamento contra Sartre, triste constatação...: Eis o problema central das igrejas atuais: a desumanização! As pessoas não olham mais para seus “irmãos”: infelizmente é mister pôr irmãos entre aspas porque essa relação não acontece mais. As pessoas freqüentadoras de igrejas querem que o “seu” Deus conceda seus desejos egoístas e lhes dê “o melhor dessa terra”, mas elas mesmas não têm mais a capacidade e o tempo de olhar o outro nos olhos, perguntar se está tudo bem sem que isso seja apenas argumento retórico e parar para ouvir...
Por outro lado, encontra-se o ativismo nas igrejas, nas quais as pessoas fazem milhares de coisas – e pensam que estão fazendo para Deus e agradando-Lhe –, correndo de um lado para o outro, o que também as impede de viver sua humanidade na relação, no encontro, como falamos. Talvez precisemos novamente entrar na Terra Prometida e perceber que eram precisos dois e não um para carregar o fruto produzido nela! Quem sabe aí, carregando juntos o fruto, percebamos que só seremos abençoados com a humanização na relação, na ajuda mútua, no compartilhar, na abertura,... desta forma, certamente, seremos gente!